Jornal “O Estado de S.Paulo” – Setembro de 2011

As operadoras de planos de saúde, que já atendem um quarto da população brasileira, escolheram o Rio de Janeiro como alvo de investimentos pesados na criação ou ampliação de rede própria. Essa movimentação, que tomou fôlego este ano, este ano, inclui a compra de quatro hospitais e a construção de outros seis na capital fluminense.

Na prática, está em curso um fenômeno que os especialistas chamam de verticalização da saúde – quando a iniciativa privada passa a ter controle dos serviços de saúde, como pronto-atendimento, consultas, exames, internações e cirurgias. Esse fenômeno se entende, à maioria das grandes cidades brasileiras. A diferença é que, no Rio, os planos de saúde estão dando as cartas. E não faltam motivos: 55,6% da população do Rio tem plano de saúde, mas, enre 2002 e 2009, a capital perdeu 892 leitos de internação particular.

Foco. A Amil, que havia comprado o Pró-Cardíaco, adquiriu o Samaritano – ambos referência em qualidade – e anunciou a construção de um complexo com 395 leitos. A Unimed Rio inaugurou duas unidades e constrói outras três. O Grupo Memorial, cujo foco é a classe C, comprou dois hospitais e uma clínica – são 8 hospitais próprios, 4 pelo sistema de franquia e 31 clínicas.

Esse processo de verticalização na saúde brasileira, como ocorreu na américa, prejudica o atendimento, pois o acesso a todos os serviços passa a ser calibrado pelas empresas”, diz Ligia Bahia, professora do Instituto de Estudos em Saúde de Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Iesc/UFRJ).

Ela lembra que, além dos planos, a Rede D’Or também caminha para essa verticalização – são 6 hospitais próprios, 15 associados e rede laboratorial, além do anúncio da construção de um hospital voltado para a classe A. O grupo fez parcerias com empresas como Bradesco Saúde e Golden Cross, com a criação de planos para serem preferencialmente usados nos hospitais da rede. Em 2010, dos 60 mil novos clientes da Golden Cross, no Rio, 20% foram atraídos por esse produto.

O superintendente-geral da Unimed Rio, Walter Cesar, diz que a opção pelo investimento na rede própria é garantir leitos para os clientes do plano e desafogar emergências – das cinco novas unidades, três são de pronto atendimento (PA). “O primeiro PA foi inaugurado em outubro, na Barra. São 9 mil atendimentos/mês e o tempo médio de espera ultrapassa 40 minutos. Nosso cliente não compete com es de outros planos. Esse modelo também traz a racionalização de custos. Nos hospitais contratados, o índice de internação é de 6% no PA, cais para 1,5%. São internações que se consegue evitar, seguindo o protocolo estabelecido.”

Para Ligia Bahia, o modelo adotado por essas empresas, centrado no atendimento de emergência, está “ultrapassado”. “Quando as emergências lotam e os pacientes agonizam, é porque as pessoas não estão recebendo atendimento integral.”

A advogada Melissa Areal Pires, especialista em direito à saúde, afirma que há risco maior para o consumidor quando a empresa que vende o plano também administra os serviços. “É preciso levar as queixas aos órgãos de Defesa do Consumidor.”

O diretor-presidente da ANS Mauricio Ceschin, diz que o órgão tem sido mais rigoroso com as empresas com rede própria tornando obrigatório para essas operadoras o Programa de Qualificação, opcional para planos com rede credenciada. “As operados verticalizadas têm recebido um olhar mais atento”, disse ANS, porém, não tem um rankings das queixas contra as operadoras de planos de saúde.

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