Teste aprova principais apólices de seguro para veículos

Pesquisa anual da Proteste avaliou contratos para seis perfis de consumidores em cinco capitais brasileiras. Preço médio de R$ 1,5 mil ainda é alto, diz entidade

RIO — Dizem que os brasileiros são apaixonados por carros. E, com a fartura de crédito no mercado e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ter um veículo na garagem ficou mais fácil. Para proteger um bem considerado tão importante, nada mais adequado do que um seguro. Mas, como identificar a apólice ideal? E o que deve constar nos contratos?

A Proteste – Associação de Consumidores está divulgando a pesquisa anual que se propõe a ajudar os proprietários de automóveis a encontrar o melhor produto. A entidade avaliou 320 apólices de 12 empresas – Allianz, Azul, Bradesco, HDI, Itaú, Liberty, Mapfre, Marítima, Porto Seguro, Sul América, Tókio Marine e Zurich Minas. E também as condições dos contratos dessas companhias para indicar quais são mais interessantes o consumidor.

— Em comparação com a pesquisa do ano passado, observamos poucas mudanças. As seguradoras continuam praticando as mesmas condições e os valores do seguro, em torno de R$ 1,5 mil para carros novos ainda consideramos alto — diz Gisele Rodrigues, técnica da Proteste, que integrou a equipe responsável pela pesquisa.

Segundo ela, é importante que o consumidor tenha noção de como funcionam as coberturas dos seguros de veículos, que se dividem nos tipos básica e adicionais. A primeira, também conhecida como compreensiva, indeniza o segurado em caso de prejuízos por colisão, incêndio, roubo ou furto e inundação causada por enchente.

— Entre as adicionais, as mais comuns são a de Responsabilidade Civil Facultativa, que indeniza danos corporais e materiais, caso o motorista cause um acidente envolvendo terceiros. A cobertura de Acidentes Pessoais de Passageiros pode abranger os riscos de morte ou a invalidez para o condutor e os passageiros do veículo. O valor reembolsado pela cobertura do tipo Responsabilidade Civil Facultativa-Danos Corporais é complementar ao seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres, o DPVAT, pago no licenciamento do veículo. Ou seja, a seguradora só irá indenizar a quantia que ultrapassar o DPVAT — explica Gisele Rodrigues.

De todas as coberturas, a RCF é uma das mais importantes, uma vez que ela garante a indenização dos prejuízos causados aos veículos de terceiros, caso você não tenha condições de arcar com eles. Defendemos, inclusive, que sua contratação se torne obrigatória no Brasil, como acontece hoje na Europa. Para você ter uma ideia do que as seguradoras andam oferecendo, analisamos 320 apólices. Um dos itens que mais interessa aos segurados, sem dúvida, é a franquia. Trata-se da quantia que você terá que desembolsar, caso seu carro sofra algum sinistro, exceto em caso de perda total. A outra parte cabe à seguradora, funcionando como uma divisão do prejuízo.

Todas as seguradoras, de acordo com a pesquisa da Proteste, cobram franquia nos prejuízos causados por choque, colisão e capotamento, fenômenos da natureza e furto parcial. Além disso, seus valores são superiores a R$ 1,5 mil, levando-se em conta um perfil específico, no estado do Rio de Janeiro, o que lhes rendeu um conceito ruim.

A Proteste recomenda que o consumidor busque sempre a orientação de um corretor para adquirir um seguro. “Ao receber uma cotação de seguro, você deve verificar o item exclusões gerais (prejuízos não pagos pela seguradora). Percebemos que riscos como manifestações, atos terroristas, tumultos e até poluição não são cobertos pelas companhias e, por isso, foram mal avaliadas nesse quesito. Bradesco Seguros e Sul América são as únicas que não excluem os danos ocorridos aos pneus ou à pintura do veículo, simultaneamente”, informa o estudo da entidade.

Empresas cobrem Brasil e Mercosul

Gisele Rodrigues, técnica da Proteste, destaco como ponto positivo da pesquisa a abrangência da cobertura oferecida pelas seguradoras analisadas. Das apólices avaliadas, 67% oferecem cobertura em todo território nacional e nos países do Mercosul. As demais cobrem só o território brasileiro, embora adalgumas permitam que a cobertura seja estendida após o pagamento de prêmio adicional. Por isso, a maioria recebeu conceito bom nesse item.

A política de bônus, por outro lado, foi apontada como um dos itens a que o consumidor precisa dar muita atenção.

— É um critério a que muitos consumidores não ficam atentos e podem até perder dinheiro. O bônus é o desconto que você obtém na renovação da apólice, caso, no ano anterior, não tenha acionado o seguro. Se você chamou a assistência técnica 24 horas, não tem problema, pois esse tipo de serviço não é considerado para rebaixar sua classe de bônus — destaca Gisele Rodrigues.

Em geral, quanto mais cedo renovar o seguro, melhor. Porém, se não renová-lo dentro do prazo estipulado pela seguradora, o consumidor pode até perder o desconto. No estudo, foram bem avaliadas aquelas seguradoras que apresentam as condições gerais de bônus em seus contratos de forma clara, já que é um critério que interessa e beneficia o consumidor.

As empresas que apenas definiram o conceito “bônus”, como manda a legislação, foram consideradas ruins. O pacote de assistência 24 horas é um item fundamental em um seguro, considerou a Proteste, já que oferece serviços úteis ao condutor em caso de imprevistos. O estudo analisou o pacote mais básico de assistência das seguradoras, observando o limite de quilometragem para o uso do reboque, o número de diárias disponíveis, caso você necessite ficar em um hotel, e a disponibilidade de carro reserva sem custo adicional. Em nosso teste, quase todas receberam o conceito bom nesse item.

Para o conserto, escolha a oficina

Todas as companhias ainda oferecem a opção que o segurado escolha a oficina onde quer consertar seu veículo e, por isso, foram muito bem avaliadas pela associação. Entre essas, porém, algumas exigem a assinatura de um termo de responsabilidade, o que não a Proteste considerou um problema, já que, nesse caso, não são obrigadas a oferecer garantia, e sim para o conserto feito em suas oficinas credenciadas.

“Fique atento se o seu veículo sofrer um sinistro: o prazo fixado pela legislação para pagamento da indenização integral (quando há perda total do veículo) é de 30 dias. Se for pago com atraso, deverá ser acrescido de juros ao mês e correção monetária. A contagem não inicia no dia do acidente, mas sim a partir da entrega de todos os documentos relacionados ao sinistro (boletim de ocorrência, documentos do veículo e do motorista)”, destaca a Proteste na conclusão do estudo.

Segundo a Proteste, o levantamento constatou que a Sul América foi a única seguradora que apresentou em suas condições gerais um prazo mínimo inferior ao estipulado por lei e, por isso, foi a melhor avaliada nesse quesito. As demais receberam conceito aceitável.

Para a advogada Melissa Areal, especializada no setor de seguros, o mais importante é que o consumidor a interessado em contratar um seguro de automóvel leia as condições gerais antes de assinar o contrato.

— As seguradoras são obrigadas a entregar o documento. É fundamental saber quais são as garantias, o que o seguro contratado irá cobrir. E, no caso de seguros adicionais, é necessário ter um contrato para cada serviço contratado. Outro aspecto importante na hora da contratação é observar o tipo de pergunta que está sendo feito sob a alegação de definir seu perfil de segurado. Não aceite perguntas que possam indicar invasão de privacidade — ressalta a advogada.

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