Aposentada precisou recorrer à Justiça para realizar cirurgia

Iara Voros

O atendimento para aposentados pelos planos de saúde é desafiador na maioria dos casos. A morte da moradora de Santo André, Maria Alice Vitor, 67 anos, é um exemplo de conflito de interesses. A paciente mantinha o convênio médico Medical Health, contratado via Associação dos Aposentados da Volkswagen.

Maria Alice procurou atendimento no Hospital Coração de Jesus, em Mauá, credenciado no plano, dia 5 de setembro, com queixas de dores abdominais, constipação intestinal e vômitos. Segundo a família, ficou internada, recebeu medicação sedativa, passou por procedimento de lavagem intestinal e foi liberada pelo médico que receitou laxante.

Na madrugada de sexta-feira (06/09), o quadro da aposentada piorou e ela teve de retornar ao mesmo hospital, onde foram informados por outro médico que o caso era de aderência intestinal. “No entanto, a paciente apresentava pressão 6×7, barriga inchada e vômitos escuros. Em nenhum momento ela passou por exames mais apurados, somente medicamentos paliativos e raio-x”, comenta a nora, Mônica Martins.

Com o quadro agravado no sábado (10/09) de manhã, Maria Alice foi transferida para o Hospital Central, em São Caetano, onde passaria por avaliação cirúrgica. “Havia a possibilidade de a cirurgia acontecer num hospital credenciado da Medical Health, em Mauá, mas não havia vaga na UTI”, afirma. Confirmada a necessidade de cirurgia à noite, a família foi informada que a aposentada deveria ser novamente removida para outro hospital, pois o Central não possuía aporte necessário para o procedimento.

A partir deste momento, a família iniciou uma batalha para conseguir vaga em um hospital do convênio. “A central de atendimento da Medical Health não ofereceu nenhuma alternativa e, após muitas tentativas frustradas na rede credenciada, a família decidimos acionar a Justiça”, diz.

Desgaste

Na madrugada de domingo (08/09), um mandado de segurança, expedido pela Justiça, ordenou a transferência da paciente em caráter de urgência para qualquer hospital que pudesse realiza o procedimento cirúrgico.

Pela manhã, com o mandato, o plano de saúde foi obrigado a transferir e internar a paciente no Hospital Beneficência Portuguesa, também em São Caetano, a foi submetida à cirurgia no início da noite do domingo.

A família teve de providenciar novo mandado para a paciente não passar por outra transferência que, segundo o médico responsável, colocaria em risco a vida da aposentada. “Desejamos que seja feita Justiça, pois os segurados desta empresa merecem ser tratados como seres humanos e não como mercadorias”, afirma Mônica Martins.

Promessa

O RD entrou em contato várias vezes com a Medical Health e obteve resposta pela ouvidora Madalena Madureira somente na terça-feira (17). “A paciente não tem previsão de alta e permanecerá no Hospital Beneficência Portuguesa com todos os gastos bancados por meio de convênio criado entre o convênio e o hospital. Quanto aos problemas de vaga em UTI, o médico estava pesquisando na rede credenciada, até que o mandato chegou e obrigou a transferência”, afirmou a ouvidora, por volta das 18h, quando Maria Alice Vitor havia falecido bem no começo da tarde da terça-feira.

 

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